Ouvindo o prefeito-eleito de Belo Horizonte falar do "projeto de centro-direita" do PSDB de São Paulo, uma amiga minha tirou do baú esta pérola de sabedoria gaúcha: "Pois é, chegou o tempo de poste fazer xixi em cachorro..." Que desaforo, não é?
José Álvaro Moisés fala à TV Estadão sobre o cenário pós-eleições municipais. A política brasileira mostrou que é mais rica do que supunham os que apostaram na hegemonia petista.
A Folha publicou uma resenha minha de "O País dos Petralhas", de Reinaldo Azevedo (copiada na seção de artigos deste site). Com elogios, claro: sou fã do blog do Reinaldo e achei o livro ótimo. Uma outra resenha, publicada ao lado, achou o livro ruim.
Vejam como o tio Rei se destaca na planície do jornalismo independente. Precisaram de um pênalti de empate, como se o livro dele fosse o manifesto de um partido, a plataforma de um candidato ou coisa assim. Verdade que Reinaldo virou meio que uma potência política, o que diz quanto ele é bom e quanto o nosso cenário político anda carente de referências que se destaquem.
O resenhista crítico, Alessandro Pinzani, reclama que Reinaldo esculacha quem pensa diferente dele (clipping aqui). O próprio Pinzani não resiste à tentação do esculacho. Desqualifica Reinaldo comparado-o desfavoravelmente a uns articulistas conservadores americanos. No embalo, sobra até para os leitores dele: "uma porção de público brasileiro... cuja atividade cultural se limita à leitura de livros de auto-ajuda e a assistir a novelas".
OK, professor, você me pegou: li o Alquimista e não perco o doutor House.
Humor britânico sobre o estouro do subprime. Nada como um império (charmosamente) decadente para saber rir da própria desgraça. Take it easy, Wall Street. Vocês chegam lá. Dica de Vinicius Motta na Folha de hoje.
"Vejo muitos atores, inclusive secundários da vida política do partido, que sequer detém mandato, jamais disputaram eleição, entrando numa discussão que repito: não atende ao interesse maior do partido", reclamou o governador Aécio Neves sobre a divisão do PSDB de São Paulo na eleição para a prefeitura da capital. Ficamos todos nós, militantes tucanos sem mandato, devendo ao governador este momento de verdade. Votar, ok. Ser cabo eleitoral, ótimo. Colaborar com os representantes eleitos do partido, legal. Agora, querer discutir o que é de interesse do partido, espera aí: bico calado!
O desembargador Henrique Nelson Calandra, em entrevista à Folha, diz coisas ponderadas sobre a greve da polícia civil paulista. Clipping aqui. Entre outras coisas, diz que não dá para admitir a eleição direta do delegado-geral porque "haverá perda do poder de mando do secretário da Segurança Pública, e a polícia passará a ser comandada por ela mesma". Já a eleição por lista tríplice do procurador-geral de Justiça ele acha ok. "Toda aspiração democrática é válida, porque legitima aquele que dirige." Espera aí: desde quando a eleição do dirigente de uma corporação do Estado pelos próprios membros da corporação é democrática? O "demo" aí é o povo todo, lembra? Se é para democratizar, doutores, que tal fazer como nos Estados Unidos e eleger diretamente pelo povo o xerife, o promotor e o juíz de primeira instância? Uma vez, na Constituinte, sugeri isso a uma delegação de magistrados que queria a eleição direta corporativa dos membros dos tribunais. Me olharam com uma cara...
Não sei se chamam Fabio Giambiagi e os outros expurgados de volta. Em compensação, vão contratar um monte para o "novo" IPEA estatista, leio na Folha. Clipping aqui. Esse é o governo Lula velho de guerra que nós conhecemos, não é? Sorry, professor Unger.
Dois bons artigos na pag. 3 da Folha hoje. Mangabeira Unger propõe baixarmos a guarda ideológica para pensar criativamente sobre formas de ação do Estado, não para substituir o mercado, mas para fazer o mercado funcionar em patamares mais elevados de competição e inovação. Fabio Giambiagi aponta três pedras no caminho da retomada das reformas necessárias para acelerar o desenvolvimento do Brasil: a intolerância ideológica, o sectarismo partidário e a prepotência corporativista. Lendo o primeiro eu pensei: "nesse terreno podíamos nos entender melhor com a turma do governo Lula". Lendo o outro eu lembrei por que a discussão empaca. Legal, em todo caso, que Unger proponha baixar a guarda ideológica. Um bom primeiro passo seria convidar Giambiagi de volta para o IPEA. Postei os dois artigos no e-agora: aqui o de Unger, aqui o de Giambiagi
Está na coluna de Miriam Leitão n'O Globo de hoje: R$ 4,3 bilhões foi quanto a Oi/Telemar, segundo seu presidente, apostou que o governo mudará o Plano Geral de Outorgas até o fim do ano para legalizar a fusão da Oi/Telemar com a Brasil Telecom. Ver clipping aqui. Uma aposta de alto risco, diz o presidente da Oi/Telemar. Será? Que empresa apostaria esse monte de dinheiro numa decisão do governo, e ainda com prazo rígido, sem ter uma garantia a prova de bala? Olhando pelo outro lado, que governo democrático poderia oferecer essa garantia sem publicidade nem o devido processo legal? Isso é que é negócio no fio do bigode, como se dizia antigamente. Bigode de quem?
Enquanto os cientistas sociais não respondem à provocação do post anterior (como se eles estivessem ligadíssimos nas minhas provocações...), uma excelente matéria de Bruno Paes Manso no suplemento Megacidades do Estadão de hoje dá pistas muito interessantes sobre a ascensão e queda da violência na periferia de São Paulo. A escalada da delinqüência juvenil no começo dos anos 1980, a entrada em cena dos matadores de bandidos - policiais e "justiceiros" civis -, as guerras de gangues e o círculo vicioso dos assassinatos por vingança, a substituição dos traficantes autônomos pelos soldados do PCC no controle do narcovarejo, a virada da PM no sentido da profissionalização e do policiamento comunitário a partir da tragédia da Favela Naval, o engajamento das prefeituras, igrejas e ONGs na luta contra a violência - está tudo lá na narrativa de Paes Manso. Ótima leitura para quem se preocupa com o assunto. Bom ponto de partida jornalístico para uma dúzia, pelo menos, de investigações sistemáticas no campo das ciências sociais.
Ruim essa do secretário de Segurança Pública do Rio dizer que a violência dos bandidos "vem do ventre da mãe" para justificar por que a violência aumenta no Rio enquanto diminui em São Paulo. Mas que há algo mais do que a via Dutra entre a bandidagem das duas cidades, parece que há. Diria que há, de um lado, a organização, o preparo e o moral da polícia, que vêm melhorando consistentemente em São Paulo e estão mal no Rio. Do outro lado, os bandidos de São Paulo em geral preferem evitar o confronto com a polícia (a exceção que acabou confirmando a regra foi a onda de atentados do PCC em 2006), enquanto no Rio parece que eles buscam o confronto. Em que medida uma coisa explica a outra? Em que medida a maior ou menor ostensividade da violência dos bandidos tem suas próprias razões sociais, culturais, até geográficas, que precisariam ser melhor estudadas e explicadas? Boa pergunta para os pesquisadores em ciências sociais.
Os juízes bancam jornalistas e divulgam a tal lista dos fichas-sujas em nome do direito de informar, enquanto tardam em dar conta do seu dever de julgar. E os jornalistas que banquem os juízes e tratem de separar o joio do trigo nesse balaio de processos inconclusos.
Dica importante no Painel da Folha de hoje:
"A palavra é... Um experiente profissional de pesquisas qualitativas identificou um termo que tem aparecido em rigorosamente todos os grupos sob sua supervisão: "carestia". Ele se pergunta por que diabos não existe um único político da oposição que toque nesse assunto."
A porta da cozinha da casa de pau-a-pique, branquinha e de chão de terra batida, de meus avós maternos dava para a estreita passagem lateral de um terreiro que terminava numa cerca de varas. Da cerca para lá ficava a nascente de água fria, cristalina e doce de que se serviam. E a imensa plantação de 13 mil pés de uvas, de que viviam, em seus 80 e tantos anos de idade, muitos filhos e muito sofrimento ao longo da vida. A cerca era em si bonita, como toda cerca de varas, tão própria dos sítios caipiras ali do bairro do Arriá, encravado na serra entre Bragança Paulista e Socorro. Mas ficava mais bonita pelos pés de maravilhas amarelas e vermelhas que iam nascendo ao longo dela, semeadas por si mesmas. A beleza suprema, no entanto, era a das rosas claras de uma roseira rústica, que floria quase o ano todo. Tinham um perfume suave, mas insistente, que nem sempre se pode sentir nas rosas. Cheguei até a pensar que minha avó sofria menos quando, às cinco da manhã, se levantava e saía para o lado de trás da casa para rachar a lenha que seria usada no seu comprido fogão de taipa durante o dia. É que nas úmidas e frias manhãs da roça se podia sentir mais facilmente esse perfume, como se o dia e a movimentação de gente e de animais o espantasse de volta para o refúgio das pétalas delicadas.
Quem diz que repressão não funciona? O número de mortos e feridos no trânsito já diminuiu por conta da chamada "lei seca". Aliás, mal chamada. O sentido da lei é "motorista sóbrio". A lei pode estar mal calibrada. Se o ministro da Justiça prevê que a polícia vai ter que usar bom senso para distinguir o motorista bêbado do padre que acabou de tomar um gole de vinho na missa, está na cara que a tolerância-zero, neste caso, vai dar margem a confusão e propina. Mas que a repressão funciona, está provado que funciona. Tanto a repressão virtual da publicidade sobre a nova lei como a intensificação da repressão efetiva da polícia nas estradas. Segundo a Folha de S. Paulo, a polícia estadual investiu R$ 800 mil na compra de bafômetros. Só com a diminuição dos mortos e feridos num único fim de semana, dá para dizer que o investimento se pagou. Clique aqui se você não tem acesso à edição digital da Folha.
Quando ela estava no hospital, mandei um e-mail desejando melhoras. "Para alegrar os olhos", anexei a foto de um ipê roxo que aparece numa nota aí embaixo. Na terça-feira à tarde ela respondeu. Animada, confiante. Agradeceu a lembrança da foto do ipê. A notícia da morte chegou pouco depois do e-mail. Hoje, no cemitério da Consolação, lá estava um ipê rosa, brilhante contra o céu azul, guardando a sepultura de Ruth. As coisas simples e bonitas sempre combinaram com ela.
Li há dias que MacCain se declarou contra os subsídios ao etanol de milho americano e contra a barreira ao etanol de cana brasileiro, enquanto Obama é a favor das duas coisas. The New York Times de hoje fala das relações próximas de Obama com os produtores americanos de etanol. Vamos mesmo ficar divididos entre o coração e o bolso nessa disputa. No meu caso o coração está levando vantagem, por enquanto. Um mulato democrático na Casa Branca seria um alento para o mundo. Melhor só se fosse um mulato democrático do litoral, feito o Caetano. Tinha que ser do corn belt? Foto de Charlie Neibergall/Associated Press
Maria Helena Guimarães e João Batista Oliveira discutem no blog de Simon Schartzman o que há de novo - e promissor - nos últimos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - IDEB. "As evidências apontadas nos estudos econométricos corretamente indicam o peso dos condicionantes extra-escolares como fatores explicativos do desempenho escolar. Parece-me, no entanto, fundamental mostrar o que faz diferença no modo de funcionamento das escolas para estimulá-las a melhorar e indicar as boas práticas que estão ao alcance de todos."
O Ministério da Saúde aconselha: não tome LSD. Se tomar, não dirija. Se dirigir, evite o eixão da Asa Norte nesta época. Você arrisca ser parado... Por blitz da polícia? Não. Pela florada dos ipês roxos ao longo da avenida. De cabeça limpa já é um espetáculo quase lisérgico. Com ácido, imagino, não tem motorista que consiga tirar os olhos dos ipês e prestar atenção na pista. É acidente certo. Melhor apreciar o espetáculo a pé, num domingo, quando o eixão fica fechado para os carros e aberto para os pedestres, ciclistas, skatistas, cadeirantes, bebês de carrinho etc. A explosão de cor dura uns dez dias. Depois as flores vão caindo e o roxo esmaecendo. Mas não fique triste. É só sentar e esperar pela florada dos ipês amarelos em setembro.
O PT pratica banditismo político usando o poder do Estado para se manter no poder, Augusto de Franco escreveu na Folha de ontem Quem não tem acesso online à Folha pode ler aqui. Quem ainda acha isso um exagero deve ler a Época desta semana. Ela revela que a Receita Federal escalou um filiado e candidato a vereador do PT para auditar as contas do PSDB. Auditoria que concluiu pela cassação da imunidade tributária do partido por motivos fúteis, que o PSDB contestou e vai derrubar na Justiça. Mas que vazou para a imprensa antes da conclusão do processo - a única auditoria que vazou até agora entre as feitas nos principais partidos, incluindo o PT. Quem não tem acesso online à Época pode ler um resumo da matéria no Blog do Josias.
Notícia do Estadão de hoje: "Base articula mandato de cinco anos sem reeleição" (clip aqui). O eleitorado tem lidado bem, obrigado, com o instituto da reeleição nos três níveis de governo. Acabar com a reeleição serviria exclusivamente para ajustar o calendário político às conveniências de candidatos e partidos. Puro casuísmo. Não só injustificável, mas arriscado do ponto de vista do bom funcionamento da democracia. Porque com o fim da reeleição vêm os penduricalhos. Quatro anos é pouco, reconhecem. Aumenta o mandato presidencial para cinco. Mas aí descasa o mandato presidencial com os dos deputados e senadores. Receita comprovada de crise. Então aumenta todos os mandatos para cinco anos. Ah, e aproveita para unificar os mandatos nacionais, estaduais e municipais. Afinal, quem agüenta ficar ouvindo as queixas e dando satisfações aos eleitores a cada dois anos? Eleições só de cinco em cinco anos, e olhe lá. Que a aliança do lulo-petismo com o profissionalismo político pense em aumento/ prorrogação geral dos mandatos para viabilizar seus projetos de poder não me surpreende. Que o PSDB possa coadjuvar essa traição à democracia me horroriza.
Dora Kramer, impecável, aponta para o responsável maior pelo dossiê anti-FHC: Lula. "Sua tolerância para com infratores - sejam produtores de dossiês, invasores de contas bancárias ou agentes públicos flagrados em atos de corrupção - é o que autoriza subordinados a agirem com a desenvoltura da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, e de outros tantos que a antecederam nessa rotina de malfeitorias sem castigo." Quem não tem acesso ao Estadão online pode ler a íntegra da coluna aqui.
"Entre o inseto e o inseticídio", como diria Caetano, Lula não vacilou. Instrumentalizou ambos na campanha eleitoral de 2002. Botou a culpa da escalada da dengue naquele ano no Ministério da Saúde. E escalou os mata-mosquitos para infernizar José Serra a troco de uma promessa de emprego federal permanente. Eleito, mandou o novo ministro da Saúde, Humberto Costa, tomar as proverbiais enérgicas providências contra o mosquito. "A decisão de eleger a dengue como prioridade número um do ministério nos meses de verão é do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva", noticia a Folha de 4 de janeiro de 2003. Ah, deu o emprego prometido aos companheiros mata-mosquitos. No fim saíram ambos no lucro, os mata-mosquitos e os mosquitos, como estamos vendo no Rio de Janeiro. Quem não tem acesso à Folha online pode conferir a íntegra da notícia de 2003 aqui.
O posicionamento de diversas chancelarias latino-americanas - e mais ainda a brasileira - está obviamente descalibrado e fortemente influenciado por um viés esquerdo-idiotista. Todos correm para defender a soberania territorial equatoriana que teria sido violada pelo ataque colombiano. Esta, todavia, é só uma parte (e talvez menos da metade) de toda a questão. O Equador, para poder se valer e argüir soberania, não poderia colaborar com e abrigar (a 1800 metros da fronteira com a Colômbia) o comando de um movimento terrorista e avassaladoramenete antihumanitário. torturador, narcotraficante e reacionário que atenta contra a soberania e o estado de direito do pais vizinho. Poderia sim exigir o respeito a suas fronteiras mas para isso precisaria também dar combate aos que se acorbertavam nesta soberania se protegendo na posição de agressores inalcansáveis, protegidos por limites de fronteira. A posição coerente das chancelarias e governos que quisessem efetivamente preservar o respeito territorial no continente deveria ser a de condenar a invasão mas condenar antes proteção que o Equador - por omissão provavelmente intencional - deu aos abomináveis torturadores.
Lula, anteontem no Sergipe, reage à possibilidade de impugnação de seu recente pacote sócio-eleitoral e manda o Judiciário "meter o nariz nas coisas deles". Só vendo.
Fundamental para entender o que separa tucanos e petistas a coluna de Merval Pereira hoje n'O Globo. O livro que ele cita, "Governo Lula: contornos sociais e políticos da elite do poder", de Maria Celina D´Araújo, pode ser baixado do site do CPDOC seguindo este link. A coluna de Merval também pode ser lida aqui.
EM PARTE por concepção, em parte por esperteza, Lula resolveu contrair a obamania. Nas vésperas da eleição americana, ele declarou: "da mesma forma que o Brasil elegeu um metalúrgico, a Bolívia, um índio, a Venezuela, o Chávez, e o Paraguai, um bispo, seria um ganho extraordinário se a maior economia do mundo elegesse um negro". É ruim.
Para o secretário de Gestão Pública, Sidney Beraldo, com os reajustes propostos aos policiais, salários ficarão melhores. Segundo Beraldo, receita per capita paulista é a 10ª do país, o que deixa claro o esforço do governo de valorizar as carreiras do Estado.
Esta eleição foi um claro referendo sobre filosofias políticas, e a progressista venceu; o eleito não deve dar ouvidos às pessoas que agora o aconselham a pensar pequeno.
WALL STREET recebeu com muita frieza a vitória de Barack Obama nas eleições norte-americanas de terça-feira. Essa reação era esperada, pois os mercados tendem a não gostar de um presidente democrata na Casa Branca, muito menos quando acompanhado por uma segura maioria no Congresso. Mas os tempos são outros, e os mercados deveriam mostrar alívio desta vez, apesar de seus valores ideológicos ou políticos.
TANTO O discurso de Barack Obama quanto o de John McCain foram inspirados pela vontade de cicatrizar as feridas abertas durante a campanha e garantir a unidade da nação. Obama lembrou que será o presidente de todos, não só dos que votaram nele. Reciprocamente, McCain declarou "Obama será meu presidente" e convidou seus partidários a juntar-se a Obama no esforço de liderar o país neste tempo incerto de crise e guerras.
A crise tem sido avassaladora para as finanças e tudo indica que o setor produtivo atravessará tempos difíceis. Os paradigmas que balizavam a economia brasileira escondiam imensas inconsistências.
Nova Bretton Woods Luiz Carlos Bresser-Pereira, Folha de S. Paulo, 03/11/08
NOS PRÓXIMOS dias os líderes políticos e econômicos dos grandes países reunir-se-ão para discutir uma nova Bretton Woods, ou seja, uma nova arquitetura e um sistema de regulação mais rigoroso para o sistema financeiro mundial. Aproveitarão também para repassar as medidas que já tomaram para garantir a solvência e para aumentar a liquidez dos bancos.
O mundo mudou Maria Cristina Pinotti e Affonso Celso Pastore, Valor, 03/11/08
A Europa já está em recessão, e a recessão nos Estados Unidos será provavelmente ainda mais profunda do que a européia. Estamos diante de uma crise financeira sistêmica internacional que vem provocando uma enorme desalavancagem, cujo resultado é a queda do estoque mundial de crédito.
Eleições e crise Fernando Henrique Cardoso, O Estado de S. Paulo, 02/11/08
Apurados os votos, algumas análises se confirmaram. Primeiro, a despeito das imperfeições e críticas, nosso sistema político é, de fato, competitivo. Segundo, a competição se dá menos entre partidos do que entre lideranças.
Keynes é nosso Gustavo Franco, Folha de S. Paulo, 01/11/08
HÁ MUITA GENTE celebrando o fim do capitalismo, ou do neoliberalismo, os termos são usados como sinônimos. Mas é verdade também que todos os celebrantes estão com muito medo, por causa de ao menos uma de três razões.
O GOVERNO federal tem uma idéia fixa: vencer a eleição presidencial de 2010. Todas as ações político-administrativas estarão voltadas para esse objetivo. E, se necessário, vencer a qualquer preço.
A crise econômica chegou ao Brasil muito antes do esperado. Se nossa economia estivesse realmente preparada para enfrentá-la, ela deveria aportar em nosso país somente a partir do ano que vem, pela via da diminuição da demanda por nossos produtos no mercado internacional, provocando a redução do crescimento no setor real da economia.
Bravatas à parte, a gravíssima crise econômica já instalada no Brasil reclama mais discussões na busca de soluções. Não adianta atribuir a crise aos países ricos, esperando que a solucionem. Por que o real tem sido a moeda mais desvalorizada no mundo e a bolsa brasileira tem sido das mais atingidas, se ainda somos líderes mundiais em taxa de juros?
O que a resistência à ditadura uniu o governo Lula separa. "Chegamos àquele ponto da trajetória que divide, sim, os partidários da herança comunista e liberal", constata Reinaldo Azevedo em "O País dos Petralhas".
A idéia de que o Brasil é um país tolerante com a homossexualidade é falsa. Do ponto de vista legal, milhões de cidadãos brasileiros recebem tratamento discriminatório em virtude de sua orientação sexual. Tal discriminação se manifesta tanto de forma concreta, em leis que ignoram a especificidade individual dos homossexuais, quanto de maneira abstrata, sob a forma de assédio moral, que se apresenta na escola, na família ou no ambiente de trabalho.